Terça-feira, 21 Setembro 2010
Já devem ter visto muitas vezes fotos ou cenas cinematográficas em que está alguém sozinho à beira duma estrada sem fim, no meio de um deserto. Onde não se vê vivalma no horizonte, a não ser o ocasional arbusto ressequido que passa por nós rolando no pó. E devem lembrar-se da silhueta dessa pessoa, na margem do caminho, erguendo um polegar para tentar apanhar boleia de uma qualquer viatura que há-de vir a caminho lá dos confins da Terra.
Isso mesmo, a imagem do viajante errante.
Analogias à parte, sentimo-nos a viver um pouco nessa paisagem.
Não estejamos irremediavelmente estagnadas ou à espera de uma boleia qualquer que faça as coisas por nós (Não, não somos dessas. Não há nada melhor que trabalhar afincadamente no duro, sujar as mãos e estafar a mente. Vá lá, por quem nos tomam?). Enfim, não é bem isso. Mas precisamos de uns "ventos inspiradores".
Chega-se sempre a uma altura em que não vale a pena adiar mais e o trabalho tem de ser apresentado. Esta aula tivemos que atender ao aspecto formal da coisa. Pesquisámos sobre mais associações com as quais nos fosse possível trabalhar: para além da Cerci e do hospital, arranjamos o contacto da APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental), e enviámos um mail a pedir a sua colaboração. Aguardamos agora uma resposta. Portanto resta-nos esperar.
O que acontece quando alguém está parado à espera de algo, é que irá ser interpelado por um monte de coisas das quais ainda não se tinha apercebido. E, só neste momento, arrebatadas pelo peso sufocante da realidade, nos damos conta que nos faltam as bases. Precisamos de um mail próprio, de um meio para divulgá-lo... e talvez, hipoteticamente falando, de um NOME (ser-nos-á difícil trabalhar sem isso).
Um mail foi já criado, por isso, se alguém nos quiser contactar aqui fica: dm.areaprojecto@gmail.com. Até aqui tudo bem.
Mas isto não altera o facto de o nosso (querido) recém-nascido projectozinho continuar a carecer de um nome próprio. Que criadoras desnaturadas que somos! Deixá-lo sem identidade! (Que ilegalidade, uma completa afronta aos Direitos Humanos... Não que o trabalho seja completamente humano, mas não se faz!)
Depois de alguma discussão, parte fundamental da escolha, e alguns narizes torcidos, ficámos reduzidas a quatro hipóteses:
1. "Uma sombra na sociedade"
2. "Uma sombra como nós"
3. "Um pouco mais de..."
4. "Do outro lado do espelho"
Hmm. O problema que se coloca é que nenhum deles é... aquele. Esperamos um pouco mais... E a última coisa que queremos é que no futuro (sim, porque ele tem futuro) o nosso trabalho se revolte pelo nome horrível que escolhemos e não nos perdoe por isso. Contudo, enquanto ainda não tivermos este ponto continuamos aqui, à beira da estrada, a ver passar arbustos.
Só precisamos de um vento, uma brisa, um sopro inspirador para nos levar ao bom caminho!
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