"Se olhares em redor, não há nada. Ou há, talvez, não sei, talvez nem queira saber. Grandes muros, contruídos à tua volta, que não te deixam sair, que te aprisionam, te vedam do mundo exterior e que vedam o mundo de ti. Muros que talvez tu próprio tenhas construído para te proteger do mundo. Muros que causam toda a escuridão que em ti existe. Dás por ti e moves-te numa roda, numa espiral infinita de pensamento solto, e pensas, em tudo, em nada... tudo é confuso. Pensamentos que não querias de momento, mas que não consegues evitar. Contudo, sabes que há mais. Há em ti um grito silêncioso. A tua mente é um remoinho. A tua vontade, a procura incessante de uma saída deste labirinto. Mas não vale a pena pensar muito. Apenas acabarias por te perder mais." Este poderia ser um possível pensamento de alguém que não se encontrasse totalmente bem. Alguém a quem normalmente dizem que não tem os parafusos todos, que tem macaquinhos no sotão. Alguém a quem as pessoas chamam maluco. Tudo isto não passa de preconceito, pois as pessoas não se podem definir por meros rótulos.
Perguntarão afinal o que é esta loucura? Ou melhor, o que é uma doença mental?
Há muitas maneiras de o definir e há ainda mais tipos desta doença do que aquilo que vocês possam imaginar. Mas de uma maneira geral há uma coisa que se repete: estas pessoas estão desligadas da realidade, vivem num mundo à parte.
Esta realidade em que vivem pode ser diferente da nossa, mas devemos fazer um esforço para tentar compreendê-la. Um doente mental pode viver num mundo à parte, criado por ele, mas o que muitas vezes acontece é que este acaba preso num outro mundo, criado pela sociedade. Por esta não o conseguir compreender, por ter medo, isola-o, quando aquilo que ele mais precisa é uma ajuda.
O nosso objectivo é desmistificar as doenças mentais, explicar que eles não 'perderam parafusos' e que não são mais do que pessoas como nós.
Se é verdade que para perceber a loucura é preciso ser-se louco, então sê-lo-emos.
Afinal, "de são e de louco todos temos um pouco."
"Para tornar a realidade suportável, todos temos de cultivar em nós certas e pequenas loucuras."
Marcel Proust
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