terça-feira, 26 de outubro de 2010

Autismo

O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento. É uma alteração que afecta a capacidade de estabelecer relacionamentos e de comunicação de um individuo, de usar a imaginação e de responder apropriadamente ao ambiente — segundo as normas que regulam essas respostas. Esta desordem faz parte de um grupo de síndromes chamado transtorno global do desenvolvimento (TGD) e está presente antes dos três anos de idade.
No nosso trabalho vamo-nos centrar no autismo nas crianças e adolescentes, que não difere muito do autismo nas restantes faixas etárias.
Algumas crianças, apesar de autistas, apresentam inteligência e fala intactas, já outras apresentam sérios atrasos no desenvolvimento da linguagem. Algumas parecem fechadas e distantes, outras presas a comportamentos restritos e rígidos. Os diversos modos de manifestação do autismo são designados de espectro autista, indicando uma gama de possibilidades dos sintomas da doença. Actualmente, já há possibilidade de detectar a síndrome antes dos dois anos de idade em muitos casos. Uma criança autista fica isolada no canto apenas a observar as outras crianças brincarem; não é porque não tenha interesse nessas brincadeiras ou porque vive no seu mundo, é porque simplesmente tem dificuldade de iniciar, manter e terminar adequadamente uma conversa.
Os adolescentes com autismo são capazes de ter sucesso na carreira académica. Porém, os problemas de comunicação e sociabilização frequentemente causam dificuldades em muitas áreas da vida. Jovens com este síndrome continuarão a precisar de encorajamento e apoio moral na sua luta para atingir uma vida independente.
Segundo a Autism Society of American (ASA), indivíduos com autismo exibem pelo menos metade das seguintes características:
  1. Dificuldade de relacionamento com outras pessoas;
  2. Riso inapropriado:
  3. Pouco ou nenhum contacto visual;
  4. Aparente insensibilidade à dor;
  5. Preferência pela solidão;
  6. Rotação de objectos;
  7. Inapropriada fixação em objectos;
  8. Perceptível hiperactividade ou extrema inactividade;
  9. Ausência de resposta aos métodos normais de ensino;
  10. Insistência em repetição, resistência à mudança de rotina;
  11. Não tem real medo do perigo (consciência de situações que envolvam perigo);
  12. Procedimento com poses bizarras (fixar objecto ficando de cócoras; colocar-se de pé numa perna só; impedir a passagem por uma porta, somente liberando-a após tocar de uma determinada maneira os alisares);
  13. Ecolália (repete palavras ou frases);
  14. Recusa colo ou afagos;
  15. Age como se estivesse surdo;
  16. Dificuldade em expressar necessidades (gesticula e aponta no lugar de usar palavras);
  17. Acessos de raiva (demonstra extrema aflição sem razão aparente);
  18. Irregular habilidade motora (pode não querer chutar uma bola, mas pode arrumar blocos).
A gravidade do autismo oscila bastante, porque as causas podem produzir significativas diferenças individuais no quadro clínico. Desta forma, o tratamento e o prognóstico variam de caso a caso. O transtorno autista é permanente e até ao presente momento não tem cura, contudo o seu diagnóstico precoce permite a indicação antecipada de tratamento.
A base terapêutica da doença presume o envolvimento da família. Pressupõe uma equipa interdisciplinar de tratamento médico, como pediatria, neurologia e psiquiatria, e tratamento não médico, como psicologia, pedagogia, fisioterapia e orientação familiar. Pressupõe ainda inclusão social, uma vez que a intervenção apropriada resulta em considerável melhora no prognóstico.
Não existe medicação e nem tratamento específicos para o transtorno autista.
O sucesso do tratamento depende exclusivamente do empenho e qualificação dos profissionais que se dedicam ao atendimento destes indivíduos.
A demora no processo de diagnóstico e aceitação é prejudicial ao tratamento, uma vez que a identificação precoce deste transtorno global do desenvolvimento permite um encaminhamento adequado e influencia significativamente na evolução da criança.
O quadro de autismo não é estático, alguns sintomas modificam-se, outros podem amenizar-se e vir a desaparecer, porém outras características poderão surgir com a evolução do indivíduo. Portanto se aconselham avaliações sistemáticas e periódicas.

Grandes personalidades com autismo:
Van Gogh, Bill Gates - características autistas
Thomas Jefferson, Albert Einstein – mencionado como tendo Síndrome de Asperger (autismo de alto nível, nível cognitivo alto com comportamentos autistas)

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